“A Bolsa Amarela” reacende debate sobre censura e liberdade na literatura infantil

O clássico da literatura infantojuvenil brasileira A Bolsa Amarela, de Lygia Bojunga, voltou ao centro do debate público após a repercussão da retirada da obra de circulação em uma escola militar do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal. Publicado originalmente em 1976, o livro é considerado uma das obras mais importantes da literatura infantil brasileira e segue sendo referência em projetos pedagógicos e formação leitora.
Em nota enviada ao Jornal Nota, a Editora Casa Lygia Bojunga reforçou que a obra “não foi concebida como um manifesto político nem uma obra de natureza ideológica”, destacando que o livro trabalha temas como liberdade na infância, imaginação, identidade da criança e relações familiares. A editora também ressaltou que a protagonista Raquel vive conflitos ligados à defesa dos direitos iguais entre meninas e meninos e à busca por um mundo mais justo para as infâncias.
A repercussão também mobilizou escritores, leitores e profissionais do mercado editorial nas redes sociais. Em publicação no Instagram, a escritora Lilia Schwarcz afirmou:
“Livros clássicos como esse não doutrinam. Fazem pensar.”
Na publicação, Lilia destacou que A Bolsa Amarela “faz uma literatura que mostra como ela não há pragmatismo” e reforçou que a obra não trata de ideologia de gênero, mas de imaginação, solidão, escolhas, desafios e descobertas da infância. A autora também afirmou que:
“Literatura é a arte da palavra, com seus múltiplos sentidos, e por isso precisa ser cada vez mais valorizada. Em tempos tão nervosos e ubíquos ela se converte em resistência.”
A discussão reacende reflexões sobre o papel da literatura na formação crítica de crianças e jovens, especialmente em um momento em que obras clássicas vêm sendo alvo de questionamentos em diferentes espaços educacionais. Ao longo de quase cinco décadas, A Bolsa Amarela integrou listas de leitura, bibliotecas escolares e programas educacionais em todo o país, consolidando-se como uma das obras mais relevantes da literatura brasileira para infância e juventude.