A receita da maior livraria do Brasil para crescer até 25% em 2026

Em um setor marcado por crises e pela derrocada de grandes redes, a Livraria Leitura segue na contramão: cresce em dois dígitos há mais de duas décadas e prepara uma nova rodada de expansão em 2026.

A maior rede de livrarias físicas do país planeja abrir nove novas lojas e aumentar o faturamento em 12% a 15%, segundo o CEO Marcus Teles, em entrevista à Bloomberg Línea. A projeção pode ser ainda maior com o impulso extraordinário da Copa do Mundo — especialmente por meio da venda de álbuns e figurinhas.

“Com exceção da pandemia, nosso faturamento cresce acima de dois dígitos desde 2000. Para 2026 vamos manter o ritmo entre 12% e 15% — e acrescentar perto de mais 10% com as vendas relacionadas à Copa, que se trata de um efeito não recorrente”, afirmou Teles.

Na prática, em um cenário positivo, a empresa pode alcançar crescimento total de até 25% no ano.

Experiência e comunidade: 3 mil eventos por ano

Para sustentar o crescimento mesmo em um ambiente competitivo, a estratégia da Leitura aposta fortemente em um diferencial: experiência.

A livraria investe na criação de comunidades dentro das lojas, com clubes do livro, lançamentos e encontros temáticos — o carro-chefe do modelo.

“Realizamos cerca de 3.000 eventos por ano, é um dos nossos principais diferenciais. Não é algo que ocorre em todas as unidades, mas buscamos ter pelo menos uma loja de referência por cidade com esse perfil”, disse o executivo.

Além disso, a rede também investe em customização, adaptando o tamanho e a oferta conforme o perfil do público e da cidade.

Um exemplo citado é a megastore de 1.750 m² no Shopping Dom Pedro, em Campinas (SP), com uma área de 200 m² exclusiva para quadrinhos e jogos de tabuleiro — enquanto a média das lojas da rede tem cerca de 400 m².

A proposta é ampliar a vivência no espaço: clientes podem testar jogos, aprender antes de comprar e viver a loja como um ponto de encontro.

DNA familiar e expansão com “sócios-gerentes”

Fundada em Belo Horizonte em 1967 por Emídio e Lúcio Teles, a Leitura preserva o DNA familiar mesmo em escala nacional.

A empresa segue controlada majoritariamente pela família (cerca de dois terços), e o restante está distribuído entre sócios-gerentes — um modelo que permite crescimento com gestão local e mais comprometimento dos líderes.

Funciona assim: a Leitura convida um gerente de destaque para se tornar sócio de uma nova unidade. Ele participa da escolha da cidade e muda para o local, formando equipe e liderando a operação.

Hoje, 70% dos gerentes são sócios das lojas onde atuam.

A lógica é pragmática: cada loja deve se tornar rentável em até três anos — caso contrário, a empresa encerra a operação.

“Fechamos pelo menos uma loja todos os anos. O mais importante é a saúde da empresa”, afirmou o CEO.

Presença nacional e foco em cidades médias

A expansão da Leitura começou de Minas Gerais para cima, com forte presença no Centro-Oeste, Norte e Nordeste.

Atualmente, a rede soma 133 lojas em 61 cidades, com atuação em quase todo o país — exceto Paraná, Roraima e Acre. Mas a primeira loja no Acre deve ser inaugurada em abril.

O foco está em cidades com mais de 250 mil habitantes, especialmente onde ainda não há uma grande livraria estruturada. O público é amplo, com predominância de consumidores das classes A, B e C, e a maioria das lojas está em shopping centers.

O efeito Saraiva e Cultura — e a decisão de não competir por preço

A Leitura também cresceu ocupando o espaço deixado pelo colapso de duas gigantes: Saraiva e Livraria Cultura, que entraram em recuperação judicial em 2018 e tiveram falência decretada nos anos seguintes.

Sem dívidas e já consolidada, a empresa acelerou o passo e chegou a abrir mais de 10 lojas por ano entre 2021 e 2023.

Segundo Marcus Teles, uma das decisões centrais foi não entrar em guerra de preço contra multinacionais e marketplaces.

“Todo mundo que vendeu com prejuízo quebrou. A Amazon cresceu muito e se tornou um marketplace. O livro não é negócio para ela como é para nós”, afirmou.

Hoje, a composição das vendas na rede é:

  • 73% livros
  • 23% papelaria
  • restante em itens correlatos, como jogos

Para o CEO, a competição mais intensa entre varejo físico e digital já ficou para trás, após décadas de transformação no setor.

“Depois de 30 anos disputando com o virtual, já estamos mais estabilizados”, concluiu.

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