Copa impulsiona movimento nas livrarias e transforma lojas em pontos de encontro

A chegada da Copa do Mundo já começa a impactar diretamente o varejo livreiro, impulsionando o fluxo de clientes nas lojas e aumentando a procura por álbuns e figurinhas. Mais do que um fenômeno sazonal, o movimento reforça o papel das livrarias como espaços de convivência e encontro, especialmente entre famílias e jovens colecionadores.
Para Ramir Severiano, da Vitrola Editora, o período representa uma oportunidade estratégica para o setor:
“É um momento muito especial em termos de faturamento para livrarias e pontos de venda. As figurinhas trazem muita gente nova para dentro das lojas, aumentam a visibilidade e ajudam a atrair novos públicos.”
Segundo ele, o impacto vai além das vendas diretas e amplia a conexão das livrarias com diferentes perfis de consumidores:
“A gente percebe um fluxo maior de pessoas, principalmente jovens, que entram na loja por causa das figurinhas. Isso faz com que a livraria fique mais conhecida e se conecte com novos consumidores.”
O crescimento da circulação também fortalece uma das dinâmicas mais tradicionais desse período: o encontro entre colecionadores para o famoso troca-troca de figurinhas. Para Paulo Escariz, da Distribuidora e Livraria Escariz, com atuação em Aracaju e Salvador, as livrarias acabam assumindo protagonismo nesse cenário:
“As figurinhas são extremamente importantes porque trazem um movimento muito grande nas livrarias, principalmente para o troca-troca. É o lugar ideal para as famílias se reunirem.”
Ele destaca ainda que esse ambiente, que mistura consumo, experiência e convivência, diferencia as livrarias de outros canais de venda:
“Outros pontos de venda não têm essa atratividade. A livraria acaba sendo um ponto de encontro.”
A expectativa do setor é repetir o forte desempenho registrado em edições anteriores da Copa. Segundo Escariz:
“Nossa expectativa é vender algo semelhante à Copa passada, quando comercializamos cerca de 30 mil álbuns e 1,5 milhão de envelopes.”
Na Livraria Leitura, o impacto também é significativo. Para Marcus Teles, a Copa gera um crescimento adicional importante para o negócio:
“É uma venda muito substancial. A Copa traz um crescimento à parte para a gente, acima de 10% no faturamento.”
Segundo ele, em um ano típico, a rede projeta crescimento entre 8% e 9% nas lojas existentes. Com a Copa, o avanço supera os 10%, impulsionado especialmente pela venda de álbuns e pacotes de figurinhas.
“Figurinha tem uma margem mais apertada, mas, para nós, faz parte do negócio principal.”
O cenário reforça uma tendência já conhecida pelo mercado editorial: durante grandes eventos esportivos, as livrarias ampliam seu papel para além da venda de livros, tornando-se espaços de experiência, convivência e entretenimento, capazes de atrair novos públicos e gerar forte movimentação no varejo.