Da coleta ao conhecimento: gari transforma livros descartados em incentivo à leitura
A história de Luciano Ferreira de Lima evidencia o poder transformador do livro e levanta reflexões sobre acesso, descarte e formação de leitores no Brasil

Em Sorocaba (SP), uma iniciativa individual tem gerado impacto concreto na valorização da leitura. Há seis anos, o coletor de resíduos Luciano Ferreira de Lima passou a recolher livros descartados nas lixeiras da cidade e, a partir deles, construiu um acervo com mais de 600 exemplares.
Mais do que reunir livros, Luciano deu novo sentido ao material que seria descartado. Ao longo do tempo, começou a doar os exemplares e incentivar o hábito da leitura entre outras pessoas, transformando sua experiência pessoal em uma ação de impacto coletivo.

“Eu comecei a doar os livros porque, assim como eles foram benéficos para mim, quero que as outras pessoas tenham a mesma oportunidade. Foi através da leitura que eu consegui transformar a minha vida emocional e intelectual, e hoje ela é mais que um hobby, é uma questão de saúde”, afirmou.
O contato com os livros também influenciou diretamente sua trajetória: Luciano ingressou no ensino superior e se formou em História. Desde então, segue atuando como incentivador da leitura, inclusive por meio de palestras e mobilização em sua comunidade.
A repercussão de sua história, que ganhou visibilidade nas redes sociais a partir de 2019, contribuiu para o fortalecimento da iniciativa. Com o aumento das doações e o engajamento da população, Luciano observou uma mudança significativa: a redução do descarte de livros na cidade.
O caso evidencia questões centrais, como o acesso ao livro, a circulação de obras, a formação de leitores e o papel social da leitura. Também aponta para a força de iniciativas individuais na construção de uma cultura mais leitora e consciente.
Em um cenário ainda marcado por desigualdades no acesso ao livro, histórias como a de Luciano reforçam que a leitura permanece como uma das ferramentas mais potentes de transformação individual e coletiva e que ampliar esse acesso é um desafio compartilhado por toda a cadeia do livro.